Eu só me sinto culpado
E a culpa se me é simples…
Não doura os dias, as noites…
Tem olhos sempre cerrados.
E a culpa se me é doce
Porque culpo e me redimo.
E o remorso com seu limo
Lubrificará a foice.
Ah, minha alma sinto pura!
Com o sangue derramado!
E o cadáver ao meu lado
É um morto prematuro!
Jovem que nunca anseou
Jovem que da sua vida
Tão cedo a achou inválida
Um jovem que só sonhou…
E este morto se aparenta
Co’o facínora culpado
E até seu rosto gelado
Tem a mesma tez cinzenta…
Céus! o cadáver sou eu!
O sangue que me inunda
Esta carne aberta imunda!
É minha, meu Deus, sou eu!…